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Como escrever

Como escreverJá se foi um tempinho desde o início do blog como escrever. E só hoje notei que não havia nenhum artigo com o nome do blog.

Acontece que o artigo como escrever um livro simplesmente tomou conta do cenário. Só ele quer aparecer. Fazer o que? A gente faz um plano… o leitor – você – faz outro.

Mas eu sou muito do teimoso, e vou corrigir esta “injustiça”. Portanto, recoste-se aí confortavelmente, para ler o artigo…

Como escrever

Duas dezenas de anos atrás, exercendo uma das incontáveis atividades que a vida me ofereceu, que era num escritório contábil láááááá no interior do Mato Grosso, ocorreu um fato que tem a ver com este artigo.

Nosso escritório cuidava da folha de pagamento de uma fazenda e, uma vez por mês os funcionários vinham até a cidade para receber o salário. Aos sábados, para não embolar nem o meio de campo da fazenda, nem o do escritório.

Os funcionários da fazenda, como você deve bem imaginar, eram pessoas simples. Vaqueiros, gente da roça.

Naquele sábado, havia um funcionário novo, que comparecia pela primeira vez ao escritório. Quando o chamei, percebi que estava um pouco nervoso, mas a correria não me permitiu perguntar-lhe porque. Mas logo eu fiquei sabendo. Quando coloquei o recibo do pagamento diante dele, estendendo-lhe também a caneta, ele baixou o olhar… E murmurou: “eu não sei assinar, não senhor…”. Aquele pobre homem não sabia… como escrever. Solução: almofada de carimbo e impressão digital.

Aquilo me doeu… algo que a gente toma como garantido, fácil, simples. Para aquele matuto do interior parecia inalcançável.

Se a reação dele fosse normal, como se estivesse “andando” para o fato, eu deixaria passar batido. Mas era visível a tristeza naquele homem. A tristeza da humilhação, por não saber o que você e eu sabemos… Como escrever.

Por isso, chamei um dos funcionários mais antigos, pedi que se sentasse ao lado do outro e mandei: “você pode tirar um tempinho lá na fazenda e ensinar esse cara aqui a escrever seu nome?”. O sujeito – conforme eu já imaginava – topou a parada. Os dois toparam. Eu mesmo faria aquilo com gosto, mas a fazenda era longe. Por isso convoquei o outro funcionário.

Um mês depois, lá estava a macacada toda de volta, para receber o dinheirinho suado. Quando chegou a vez do “que não sabia como escrever”, este sentou-se quieto diante de mim. Eu perguntei: “E aí, cara… vai sujar o dedo de novo?”. O que se seguiu simplesmente criou vários nós nas gargantas de todos os presentes. Inclusive a minha, é claro.

O homem não conseguia falar. Apenas fez que não com a cabeça e recolheu a caneta que eu lhe estendia. Ele tremia a mais não poder. Mas conseguiu “desenhar” seu nome, conforme seu companheiro lhe havia ensinado.

Bom… nem é preciso dizer que aquilo terminou em festa. Boteco e o escambau. Sim… porque com peãozada de fazenda não se brinca. Se você não amarrar pelo menos um  pifão junto com eles, além de não ser amigo, ainda por cima é meio… deixa pra lá.

Você sabe como escrever?

É claro que sim. Se está lendo isso aqui…

Pois é, caro leitor… tem gente que não sabe. Muita gente que não sabe como escrever, nem ler, por este Brasil afora.

Considere-se portanto, um privilegiado. E se realmente gosta de escrever, faça das tripas coração para que alguém lei o que você escreve, né?

 

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15 comentários para "Como escrever"

  1. Olá. Sinceramente tudo o que preciso no momento é criar um blog. Tentei, mas a senha escolhida da erro(pede que tenha números e letras, o que faço, mas não aceita) Pode me ajudar?

    1. brunogrunig says:

      Olá, Nilda. Posso ajudar, mas preciso mais dados. Se for um blog gratis, não há com que se preocupar. E as plataformas de blogs têm como alterar a senha, bastando clicar na opção “perda de senha”. Ou começar novamente. Um abraço.

  2. Ana safira says:

    olá, eu tenho 14 anos, já escrevi várias peças teatrais e estou começando a escrever meu primeiro livro, porem a história é longa, tem vários personagens e núcleos, e eu não sei como desenvolver esses núcleos sem ofuscar o núcleo principal, você tem uma dica?

    1. brunogrunig says:

      Olá Ana. Você precisa escrever um resumo da história. Que tenha no máximo umas dez páginas. Assim terá uma linha mestra para seguir. Um abraço.

  3. Leandra says:

    João eu tenho acredito que durante a minha vida já li mais de 200 livros, eu estou escrevendo um mais não sei como organizar as ideias é aconselhável eu pedir ajuda de um professor (a) de português? E se os protagonistas forem reais, eu preciso da autorização deles para inclui-los n livro ou é melhor só mostrar a eles lá no capitulo 2 ou 3? E como é eu eu faço para dividir um livro de 90 páginas em capítulos e em quantos capítulos?
    Me desculpe o incomodo, mas eu agradeço se você me responder.

  4. Kamilla Zancanelli says:

    Olá, inicialmente gostaria de desculpar-me pois minha vontade era de comentar isto em um outro artigo, mas não foi possível. Há tempos que desejo escrever um livro mesmo que pequeno para ter uma noção se realmente “sirvo” para isso. Lendo seu artigo de como começar um livro, vi que deveríamos começar por um parágrafo, eu já escrevi inúmeras redações e gostaria de saber se posso começar meu livro pelo prólogo? Quantas folhas são necessárias nele? E se futuramente quando terminado eu poderia enviá-lo para ti ou seria necessário um capítulo. Grata desde já.

    1. brunogrunig says:

      Olá Kamilla. Há outros artigos no blog e creio que você precisa de mais informação. Você pode começar seu livro por onde quiser, mas é recomendado que tenha uma história completa antes de começar. No meu ebook http://comoescrever.com.br/comoescreverficcao/ há muita informação, confira. Um abraço.

      1. Kamilla Zancanelli says:

        Agradeço, irei me informar melhor.

  5. Ildete Medeiros says:

    Bruno, seu texto me fez lembrar de cenas emblemáticas de dois filmes que retratam a realidade brasileira. O primeiro, Central do Brasil, que mostra pessoas analfabetas, que pagam pelo serviço de ‘escrita”, para conseguir mandar notícias através de cartas aos seus parentes que moram no sertão. O outro filme, Gonzaga: de pai para filho, mostra o quanto foi difícil para o nosso inesquecível Luiz Gonzaga conseguir dar vazão ao seu talento, quando nos primórdios não sabia escrever e por isso não conseguia compor as canções. Tinha a melodia na cabeça, mas uma grande dificuldade para preencher o vazio com as palavras. Ler e escrever é realmente um privilégio e nos permite adentrar em um universo de possibilidades. Parabéns!

  6. Jolmar says:

    Eu exercito a escrita de muitas formas, por exmplo. Pego a briografia (pequena, tipo da wikipedia)de um famoso e reescrevo. Mudo a cidade onde nasceu, acrescento detalhes que ele não viveu, mudo a profissão dos pais e etc. Outra coisa que eu faço é tipo, uma entrevista ficticía. Imagino que eu sou um famoso escritor, ator etc e sou entrevistado. Ou imagino entrevistando uma pessoa famosa…e outros exercicíos, acho bem divertido. Mas Bruno, você acha que isso pode ajudar de alguma forma a escrever ou é só perda de tempo esses exercícios?

    1. brunogrunig says:

      Olá Jolmar. Muito pelo contrário. Acho muito bom. Quem quer escrever, precisa escrever. E é o que você está fazendo. Talvez você nem saiba a dimensão do que está fazendo. Eu costumava escrever pra mim mesmo e guardar na gaveta. Achava que nunca ia servir pra nada. Mas serviu, acredite. Um grande abraço.

  7. João Paulo says:

    Olá Bruno.
    Sou religioso, e no local onde me reuno, participo de um teinamento onde dou palestras sobre a Bíblia. Eu recebo o um tema, e desenvolvo.

    Os responsáveis pelo treinamento e boa parte da essistência, sempre me elogiam: “Seu discurso (escrito) é simples, fácil de entender e você destaca sempre os pontos principais.” Devido a esse tipo de “reconhecimento”. Será que eu poderia…expandir meus horizontes, escrever outros tipo texto? levaria jeito pra coisa?

    1. brunogrunig says:

      Olá João. Você nunca vai saber se não tentar. Mas seja em qual área for, procure ler quem já é tarimbado. Não pense que por saber escrever um determinado tipo de texto está automaticamente apto a escrever outro. É sempre necessário pesquisar, estudar. Um grande abraço.

  8. Isabel Cristina says:

    Maravilhoso saber que há pessoas como você que amam as palavras e que dão a devida importância a comunicação oral e escrita.

    1. brunogrunig says:

      Valeu Isabel. Obrigado pelo comentário. Um grande abraço.