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Como não escrever

como escrever - miguxêsSerá quase impossível mencionar neste simples artigo tudo aquilo que não se deve fazer ao escrever. Um dos motivos é que eu não sei tudo. O outro é porque há trocentas mil bestagens que se comete a torto e a direito por aí.

Por isso vou mencionar apenas algumas coisas que me ocorrem agora. E as que eu mais detesto.

O vírus linguístico da internet – miguxês

Chamada pelos blogueiros de “miguxês”, a mania quase que generalizada de abreviar palavras, infelizmente pegou. É um tal de vc, pq, blz, bjsss e outras pérolas que eu nem quero escrever para não poluir meu pobre blog.

A coisa vai tão longe que, para provocar um pouco a discussão, escrevi algo a respeito num site e um dos comentários foi que eu estava errado e que isto – o miguxês – é uma evolução da língua. É claro que a esta altura encerrei o assunto por lá. Não se pode curar um doente que não quer ser curado.

Uma pessoa que entende tal aberração como “evolução” só pode ser doente. Suponhamos, a título de exemplo, que nós – seres humanos – “evoluíssemos” desta maneira. Em poucos anos eu seria uma ameba e você um verme (se preferir a ameba, pode ficar…).

Para não dizer que sou um chato irredutível, até concordo no uso dessa coisa em mensagens pelo celular. É claro, aquilo é somente um recado. De mais a mais, é meio complicado digitar naquele tecladinho de m… quero dizer, pequeno.

Entretanto, mesmo neste caso, se for uma mensagem que será enviada a todos os contatos, como um convite, por exemplo, não há desculpa. O certo aí seria tomar o tempo necessário e escrever corretamente.

Alguns blogueiros combatem o miguxês furiosamente. Incluindo eu. Pela simples razão de que, no caso de um comentário no blog (escrito com abreviações idiotas), a pessoa que está escrevendo o comentário, no mínimo não respeita o trabalho do blogueiro.

Sim, porque o dono do blog escreveu em português correto, para que todos entendessem. Trabalhou duro. E o comentário deveria complementar seu trabalho, não arruiná-lo. Da mesma maneira que o artigo traz visitantes, o lixo miguxês também traz. Só que outro tipo de visitante, não desejado pelo blogueiro…

Por outro lado, há espaço mais que suficiente para escrever o comentário. E tempo também. Se o comentarista não quer gastar seu tempo no comentário, não deveria sequer pensar em comentar.

A nossa boca suja – palavrões

Escrever errado é uma coisa. Disseminar palavrões pela internet é outra completamente diferente.

Tem gente que deve se achar bastante original e engraçado – ou talvez poderoso – ao escrever para milhares de leitores aqueles palavrões e obscenidades que todos conhecemos tão bem.

Não pense você que vou dar uma de “santinho” aqui não. Sou um boca-suja incorrigível. Cheguei a um ponto em que nem psicólogo dá jeito. Os palavrões saem da boca sem que eu nem mesmo perceba.

Mas daí a colocá-los indiscriminadamente na internet, há uma grande distância.

Talvez muitos não percebam, mas o que escrevemos por aqui, em muitos casos está aqui para ficar. Gerações futuras irão ler o que escrevemos. Nossos filhos, netos, netos dos netos e assim por diante. Não será possível limpar a sujeira. Os mais jovens vão aprender o quê? Miguxês misturado com palavrões. Uma beleza.

Talvez até comecem a falar desta maneira. Já imaginou? Algo assim?

” E aí, mn? Blz? Dá um lg na ft do meu carro. Puta mq, fodão! ”

Traduzindo:

” E aí mano, beleza? Dá um liga na foto do meu carro. Puta máquina, fodão! ”

Mais ou menos isso. Pode reparar por aí… os palavrões não são abreviados. Palavrões os miguxos escrevem corretamente…

Enfim, há mais coisas que não deve cometer ao escrever. Mas considero estas duas “top de linha”.

Filed under: Linguagem

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24 comentários para "Como não escrever"

  1. cléo says:

    olá! adorei seu blog, siga o meu tb. eu escrevo contos a maioria são femininos baseados em fatos reais. mas como é dificil “vender” nossa obra para editoras. aliás gostaria q vc fosse ao meu blog e lesse out entasse elr algum conto meu, e me diga o que vc achou.

  2. Karine Guimarães says:

    Olá Bruno. Simplesmente fantástico seu blog. Sem comentários. Confesso também não gostar dos miguxês, afinal empobrecem o texto.
    Estive a ler vários de seus artigos e sinto inspirada a escever. Leio bastante, mas tenho medo de colocar minhas ideias no papel. Tenho receio em escrever errado, em “matar” a gramática e o nosso português. Vírgula então, nem se fala…onde colocá-la?? Ó dúvida cruel.
    Muito obrigada pelas dicas. Um grande abraço.

    1. brunogrunig says:

      Olá Karine. Largue suas dúvidas – cruéis ou não – de lado. Todos nós erramos. De mais a mais, qualquer livro antes de ser publicado necessita de uma revisão. O revisor que se vire! O importante é conseguir escrever algo que preste, isso sim. Mande bala e esqueça esta insegurança. Um abraço.

      1. cléo says:

        SIM todos erramos, mas tem erros que são cruéis e mostram que a pessoa não lê o suficiente.

  3. Adri Araújo says:

    Olá
    Adorei seu blog; por um momento me peguei pensativa em começar a escrever o “MEU PRIMEIRO LIVRO”, uma vontade até então reprimida por meus pensamentos nada insentivadores. Mas depois que comecei a ler o seu blog estou mais feliz e pensando positivamente. Obrigada por compartilhar.

    1. brunogrunig says:

      Olá Adri. É bom saber disso. Espero que não desanime mais. Um grande abraço.

  4. Leonardo Uzuelli says:

    Eu já tenho um livro pronto , esta na gaveta … mais eu tenho medo de publicar , eu acho que tenho talento para escrever é oque meus amigos e parentes falam pelo menos , mais primeiro livro sempre da um medo . vou tomar coragem que sabe publique . e da uma conferida sim As Cronicas de gelo e fogo é muito bom .

    1. brunogrunig says:

      Olá Leonardo. Rapaz, não deixe na gaveta, não. Ponha pra rodar. Mesmo que for só em PDF (que é o que eu faço). Um grande abraço.

    2. cléo says:

      Leonardo só tome cuidado ao usar a palavra MAS, NÃO É IGUAL A MAIS.
      MAIS = SOMA, MATEMÁTICA, E MAS É CONTRADIÇÃO…
      “…EU TENHO UM LIVRO PRONTO,ESTÁ NA GAVETA…MAS EU TENHO MEDO
      DE PUBLICAR…….MAS PRIMEIRO LIVRO SEMPRE DÁ MEDO.

      ENTEDNDEU? MAS….NÃO USE “MAIS”…NESSAS FRASES.

  5. Leonardo Uzuelli says:

    Bruno,Também não consigo entender,como Paulo Coelho faz tanto sucesso, não sei se é eu que sou hipócrita ou muito critico , mais acho simplesmente horrível os livros dele é algo que você tem que forçar para ler,Acho que oque faz ele vender mesmo é o Nome que já pegou . ou como você disse pessoas que gostam de ler abobrinha , um novo livro agora no mercado que é muito bom é As Cronicas de gelo e fogo do Martin esse livro sim é uma Arte .

    1. brunogrunig says:

      Olá Leonardo. Eu creio que o sucesso se deve não ao nome somente. Existem muitas (muitas mesmo) pessoas mais perdidas que cachorro que caiu de mudança. Buscam a resposta para suas existencias em magos, mágicos, adivinhos e o escambau a quatro. Pessoas como Paulo Coelho fazem a festa com os confusos deste mundo. Oferecem exatamente aquilo que eles querem. E então… eles compram. Obrigado pela dica. Vou conferir. Um grande abraço.

    2. cléo says:

      LEONARDO:”MAS acho simplesmente”….PAULO COELHO JÁ ERA BEM FAMOSO QUANDO COMEÇOU É SÓ POR ISSO QUE FAZ SUCESSO.
      ESQUEÇA O “MAIS”….

  6. Zanna Santos says:

    É meu querido, estão literalmente assassinando a gramática.

    1. brunogrunig says:

      E não é só a gramática. O Brasil está assassinando um bocado de coisa. É triste, mas é verdade. Um abraço.

  7. Cláudia says:

    Eu, influenciada por esta onda chamada Paulo Coelho, também tentei ler um livro, mas não me identifiquei com seu trabalho em forma ou conteúdo.
    Talvez haja alguma razão especial para ele vender tanto ou, quem sabe, ele apresente a seu público alvo aquilo que estão buscando ” eu ainda não atingi este nível de entendimento.”
    O fato é que “cresce o exército” agora somos três contra milhões, que Deus nos abençoe! Abraço

    1. brunogrunig says:

      Olá Cláudia. Vai ser bem interessante o Paulinho ler esse negócio aqui e resolver esmagar nosso batalhão. Se ele colocar seu exército atrás de nós, sebo nas canelas, a coisa vai ser feia. Mas, falando sério, creio que você não deve basear-se em ninguém. Apenas leia bons livros. Isso é necessário. E vá treinando, com assuntos que têm mais a ver com você. Um grande abraço.

  8. Obrigada pelas dicas. Ano passado fui para New York com meu marido e quando voltei enviei um e-mail para uma amiga relatando uma aventura vivida em NYC. Ela achou tão bacana que sugeriu que eu escrevesse num blog. Então eu criei um blog e coloquei a aventura lá. Depois me aventurei e criei uma ficção “As aventuras e desventuras de Lurdinha.”. Confesso que tive boa receptividade e muitas cobranças para continuar a escrever um novo capítulo da aventura, mas eu parei. Fiquei pensando: não sou escritora, não faço a menor ideia do que é escrever. A internet está cheia de lixo e não quero ser mais uma a contribuir com o aumento de baboseiras. O problema é que sempre que alguém lê o blog pede para eu continuar, mas eu estagnei. Tenho mil histórias fervilhando na cabeça e não as coloco num post. Ainda não aceitei que posso escrever e que pessoas podem realmente gostar. Talvez seja o meu lado gestora de empresa brigando com o meu lado criativo. Lendo seu blog fiquei mais animada. Quem sabe eu saio desse modo letárgico. http://helohelena.blogspot.com/p/cronicas-e-outras-historias-para-o-boi.html

    1. brunogrunig says:

      Olá Heloisa. Passar idéias para o papel, para muitos é um tormento. Não para você. Você sabe escrever. Após ler um pedaço do seu blog, eu já quase “sei” como é tomar um táxi em Nova Iorque em dia de chuva. Mas você é quem deve decidir o que quer fazer, porque quer fazer e como vai fazer. Eu comecei mais ou menos da mesma maneira. Contando histórias que eu conhecia. É mais fácil, pelo menos para mim. Ficção já é outro departamento. Minha sugestão é: vá escrevendo, sem preocupar-se muito com o que os outros dizem. Escreva. E leia. Se pretende escrever um livro, leia livros do gênero que pretende escrever. Se pretende levar adiante um blog, além de ler outros blogs, deverá aprender um bocado de coisa. Isso aqui – acredite – pode parecer, mas não é brincadeira. Este blog é pequeno. O meu blog principal já é maior e tem mais sucesso. É vida dura. E tome cuidado, porque vicia. Um grande abraço.

      1. Obrigada pelas dicas Bruno. Acho que a minha facilidade da escrita vem da diversidade de livros que li ao longo da vida. Na infância devorei todos os tipos de quadrinhos. Na adolescência li livros de aventura, na juventude li todos de José de Alencar, Machado de Assis, Jorge Amado, Sidney Sheldon e outros novelistas. Depois entrei na fase de Marx, Maquiavel e outros da linha pensadores. Na vida adulta troquei tudo por livros de administração, Mkt, Peter Senge, Philip Kotler, Sthepen R. Covey entre outros. Tudo isso entremeado pelos livros paradidáticos das minhas filhas que eu os devorava como se tivesse 6 aninhos. Também li (ainda leio) mangás. Só teve um autor que não consegui ler e não entendo o sucesso que faz: Paulo Coelho. Não gosto do que escreve nem de como escreve, mas sou uma contra milhões. kkk

        1. brunogrunig says:

          Olá Heloíza. Eu também li alguns dos livros que você mencionou. Deve haver muitas coisas em que concordamos. Mas a principal é a sua menção sobre Paulo Coelho. Li um livro dele, mal e mal chegando ao fim, forçadamente. Só para saber porque ele vende tanto. Pelo conteúdo e maneira de escrever não dá pra saber. As pessoas devem gostar de ler abobrinha mal escrita, pelo jeito. Quem sabe? Existe um velho ditado que diz? “quando não se pode combater, o negócio é aderir”. Mas creio que não seria capaz. Acho que ainda não inventaram um meio de desaprender. Portanto, a partir de agora… dois contra milhões, Que Deus tenha piedade de nós.

  9. Lucas says:

    Só teve uma vez, em quatorze anos de vida e leitura, que eu achei interessante um xingamento em um livro, por que foi uma coisa que eu nunca vi, li na verdade, na vida. uma mulher mandando o marido tomar no ** em a menina que roubava livros. é um jeito de mostrar que a mulher era estressada e tal. Mas uma das coisas mais irritantes é você ler num blog: vs, vá se f*der, muguxos… Isso é de cegar qualquer um.

    1. brunogrunig says:

      Olá Lucas. Eu não sou contra o palavrão, não sou puritano. Num livro, por exemplo, como você mencionou, às vezes é necessário colocar a linguagem do jeito que ela é. Imagine a cena: O bandido mata a mulher do herói na frente do mesmo, e o herói diz: “Seu malvado! Juro que vou matá-lo!”. Ou será que ele diria: “Filho da ….! Vou acabar com você!”. O que sou contra é o palavrão de graça na internet. Estas coisas ficarão por aí um bom tempo, para todo mundo ver. Um lixo. Isso quando o palavrão não é usado para ofender mesmo. Em meus blogs não há nem discussão. O sujeito pode fazer um ótimo comentário. Se colocar um palavrão sequer, vai para a lata de lixo. Um grande abraço.

  10. Thainara Aline says:

    Esse tipo de linguagem deixa o texto pesado, não me agrada. Tanto é que não falo palavrões (exceto em alguns casos, onde me tiram do serio), deixa o texto vulgar, com vontade de queimar ou mesmo deixar o livro na prateleira acumulando poeira (olha rimei).
    Um abraço!

    1. brunogrunig says:

      Thainara, realmente rimou. Ficou bem legal, rerere. Livro que fica na prateleira acumula poeira. Um abraço.