O livro cinquenta tons de cinza é bom?

Cinquenta tons de cinza é bom?

Cinquenta tons de cinza é bom?Um livro de grande sucesso. Mas Cinquenta tons de cinza é bom ou não? Bem, como se dizia antigamente, gosto não se discute, certo? É bem capaz de ter muita gente pelo mundo afora que leu e gostou. Ou, diz que gostou só pra não dar o braço a torcer.

Acontece que um bocado de gente age assim. Porque acha meio chato confessar que perdeu um tempo do caramba pra ler algo que não gostou. Então, não dá pra confiar no que as pessoas dizem. Outros ainda – creio eu – dizem o que se espera que digam. Afinal, a escritora ficou famosa, coisa e tal. E um bocado de gente fala que gostou…

Mas vamos parar de lero-lero. Cinquenta tons de cinza é bom? Eu comprei esse treco só pra verificar porque é que fez tanto sucesso. E passei por uma verdadeira tortura para ler cento e noventa e cinco páginas. O livro tem o absurdo número de quinhentas e catorze páginas (versão em ingles, paperback). O conteúdo para mim é um verdadeiro pé (você sabe onde).

A escritora E. L. James gasta centenas de palavras para mostrar a todo momento que o tal Grey é rico pra caramba. A primeira vez ainda vai, mas depois começa realmente a encher o saco. Ela demonstra insegurança neste particular. Tá legal, caramba… o cara é rico que só a peste, a gente já entendeu! Vai te lascar! A história fica morosa. Parece que ela queria fazer um livro bem grosso, pra parecer importante. Se a gordura for retirada, creio que não sobra nem a metade.

Como só li uma parte, e não me vejo lendo o resto, vou botar só mais um defeito. E. L. James pecou num dos mais exigidos requisitos de um escritor. A pesquisa. Veja só porque…

Cinquenta tons chatíssimos de cinza é bom pra quem acredita em computadores do futuro

Em determinado momento, o ricasso Grey manda para a casa da tontíssima Anastasia um laptop da Apple. Mais uma vez querendo demonstrar o cara é muito mais que rico, ela diz que um “genio em computadores” foi até a casa de Anas-tonta para preparar o maravilhoso laptop Apple do futuro. Sim, porque até o presente momento (janeiro de 2013) a Apple não tem disponível um Macbook Pro de 32GB de memória RAM!!! Além do mais, seja lá onde o poderoso Grey cinzento comprou esse computador que não existe, a Apple não mandaria um “genio” instalar a droga do laptop pra ninguém. Bom… tudo bem… o cinzento-rico-cidadão-chato-e-maníaco-sexual poderia ter pago um genio à parte. O que também seria totalmente desnecessário, pois qualquer moleque de dez anos faz um laptop rodar que é uma beleza.

Cinquenta ton-tos de cinza é bom pra quem não presta atenção ao que lê. Numa parte lá dessa chatice toda, a Anatonha tem um “bate-papo” com seu subconsciente. O único problema é que nenhum ser humano tem percepção do seu subconsciente. Por isso, não pode travar uma “conversa interna” com o mesmo. Você e eu, assim como todo ser humano,  só temos consciencia do que está em nosso consciente. Nem é preciso explicar mais…

Agora vamos ao que interessa. Se Cinquenta tons de cinza é um livro bom-para-nada, como é que vendeu tanto?

Confesso que no momento não me ocorre nada. O fato é que vendeu sim, e continua vendendo. Você aí, que está querendo ser escritor e quer vender muitos livros, faça o favor a si mesmo: pesquise o motivo de tanta venda. Aliás… acaba de me ocorrer algo.

Sabe aqueles videos do Youtube que não têm nada a ver? Umas porcarias que não servem pra nada e tem milhões de visitas? Acho que isso aconteceu ao livro cinquenta pés no s… quero dizer, cinquenta tons de cinza. Vendeu não porque é bom. Foi porque é viral.

Então vai aqui a dica: quando for trabalhar numa idéia para um livro, pense numa coisa que seja potencialmente viral. Como no livro em questão. Talvez o falatório tenha começado porque o Cinza tem o hábito de fazer sexo doentio com contrato e o escambau.

 

 

 

 

About the Author brunogrunig

22 comments
Allan says junho 28, 2013

Olá, realmente não entendo como esse livro rendeu tanto, deve ser pela curiosidade, na questão do sexo, todos querem saber o que está acontecendo, como no livro da Bruna surfistinha, com páginas pretas e tudo, isso chama atenção, mas não consegui me interessar por esse livro.
Estou gostando muito dos seus artigos, já publiquei um livro de poesia no clube de autores, mas poesia é para um publico muito limitado, é mais escrever pra gente mesmo. Agora estou escrevendo outro livro, com bastante conteúdos que possam chamar a atenção do leitor. Quando eu tiver mais conteúdo peço para você dar um palpite pra mim.
Muito obrigado!

    brunogrunig says julho 29, 2013

    Olá Allan. Desculpe a demora. Valeu o comentário. Veja, é sempre melhor escrever para um público definido. Portanto não tenha receio de limitar seu público. É muito difícil abranger um público grande, massivo. Um abraço.

Jocélia says maio 8, 2013

Até que enfim alguém entendeu que não vale a pena, mas eu fiquei pra trás porque me obriguei a ir até a página 400 e poucos para descobrir que não ia descobrir nada. Então não foi um tradução bem feita? Bem que eu notei que além de chato o livro é cansativo de ler por causa da tradução. E, se me permite, vi num site de uma jornalista um comparação que ela fez entre esses 50 tons e as velhas edições daquelas Júlia, Sabrina, lembra? Isso explica bem o motivo do sucesso: receita velha, tempero novo… Aí, eu postei uma observação num site feminista e as meninas me lascaram de correções dizendo que sexo diferente é bom se os dois parceiros concordam… Ai, eu acho que o mundo tá ficando maluco! Sou uma mulher normal e não gosto de apanhar!

    brunogrunig says maio 15, 2013

    Olá Jocélia. Pois é… creio que estas pessoas que se dizem moderninhas acabam sendo as mais caretas. Acho que é mais garganta que outra coisa. Um abraço.

Valtair says março 24, 2013

Olá querido !
Acabei de ver um vídeo seu no you tube , dando algumas dicas de como escrever um livro . Como é um assunto do meu interesse , resolvi entrar em contato .
Não é de agora que tenho vontade de escrever meu primeiro livro , rapaz , mas como é difícil ! rs
Mas achei o blog maravilhoso , seguirei algumas dicas aí , quem sabe dessa vez sai ! rs
Já cheguei a pensar de que antes de morrer , gostaria de ver uma obra minha publicada ! rs
Uma das dicas que vc. deu aí eu já venho fazendo a muito tempo , que é o gostar de ler , e eu leio muito .
Tenho ótimas idéias , , mas só falta colocar no danado do papel , mas aí que é complicado !
O que vc. me diz ?
abraço

    brunogrunig says março 29, 2013

    Olá Valtair. Eu sugiro que comece fazendo algo pequeno. Para ir treinando. Ficar só no planejamento não ajuda. Um abraço.

Tuka says março 21, 2013

Até os livros de crônicas infantis que eu lia quando criança prendiam mais minha atenção do que esse livro. A estrutura de linguagem usada foi vaga, figuras de linguagens cruas e meio idiotas. Fora que ficou meio confuso o tempo verbal que ela utilizou.

    brunogrunig says março 29, 2013

    Olá Tuka. Isso mesmo. O tempo verbal tem a ver com a tradução. Em inglês é comum escrever assim, mas nem isso ela saber fazer direito. Aí a tradução deixou pior ainda. Um abraço.

      Tuka says março 30, 2013

      Então, em relação ao tempo verbal, a editora brasileira que foi culpada. Porque a saga Crespúsculo, embora tenha muitas críticas e eu não seja uma das mais apreciadoras dela, teve uma estrutura linguistica muito bem feita, e mais “original” do que 50 tons…

Marina Nogueira says março 14, 2013

Olá,ainda não comprei este livro,mas nunca me interessei de verdade por ele,a não ser pelo fato de 4 de 5 amigos falarem que é bom,mas vendo você falar só confirmou o que eu achava,acho que deve ser uma porcaria.
A coisa que mais odeio é gastar dinheiro com livro que não vai me acrescentar nada.
É este o mau do mundo todo mundo quer ir com a onda,só pra agradar.
Eu me pergunto, agradar quem? Eu quero mais é me agradar.
Gosto de coisas que me façam pensar,que me façam querer ser alguém melhor do que sou,algo que tenha bom contéudo.
Por isso as pessoas estão tão vazias,não sabem se impor,colocar sua visão das coisas,se posicionar.

    brunogrunig says março 14, 2013

    Olá Marina. Infelizmente, as pessoas são assim. Eu costumo dizer que se alguém enlatar fezes e fizer uma boa propaganda, sempre vai encontrar quem compre. E coma. E recomende. Sabe porque recomenda? Porque não quer dar o braço a torcer. Não quer reconhecer que comprou… arrrammm…. m…da. Essa é a verdade. Veja só o que se passa no Brasil. A música, por exemplo, está involuindo. Eu fico feliz quando encontro alguém que ainda tem a lucidez que você apresenta. Um abraço.

Ana Paula says março 11, 2013

Pra mim parece bem óbvio o motivo de tanto sucesso. O livro é escrito de uma maneira nada rebuscada, não é preciso ter muita prática de leitura pra passar pelas páginas. O assunto é sexo, e não um tipo muito comum, o que deixa algumas pessoas curiosas. Também tem o fator “eu sou uma mulher comum, virgem e insegura que conseguiu atrair um milionário cafajeste e fazer ele se apaixonar pela primeira vez na vida”. Mexe com o ego de um monte de mulheres. E a publicidade foi gigantesca… O sucesso do livro meio que deu permissão de compra pra um monte de gente que tinha vergonha de comprar livros eróticos, afinal, ta todo mundo comprando! Depois, é só deixar pro boca a boca, que a curiosidade fala mais alto. Como eu, você e outras pessoas, que não se atraíram especificamente pela história mas quiseram saber “porque esse troço vende tanto?”. Parece uma boa fórmula pra mim.
Você não perdeu nada em não terminar de ler… Não acontece nada, pelo menos não no primeiro livro, os outros eu não li. A coisa termina do jeito que começou.
E parabéns pelo blog, achei muito útil e divertido! 🙂

    brunogrunig says março 14, 2013

    Olá Ana Paula. Você resumiu a coisa toda. Este livro é uma porcaria mesmo. E pior… uma tranqueira pornográfica vendida como romance. Nem compre o segundo. Eu comprei em Ebook, li umas dez páginas e a lenga-lenga continua. Os dois palhaços ficam tratando-se de Mr. Grey e Ms. Grey o tempo todo. Uma bela meleca que ninguém merece ler. Obrigado pela visita e comentário.

Gustavo Scussel says março 2, 2013

Comprei o livro motivado única e exclusivamente pela curiosidade em entender tamanho sucesso. A sinopse não me chamou a atenção, tampouco seu teor.

Boa parte do livro, para mim, beira o infantilismo. Os diálogos, a escrita, a seqüência… A maior tortura é ler.

Dei o livro para outra pessoa não como presente, mas para realmente me livrar dele!

    brunogrunig says março 3, 2013

    Olá Gustavo. Eu creio que muita gente fez algo parecido. Concordo com você em tudo. É mesmo uma tortura. Eu não consegui chegar sequer à metade. Ainda assim, fui tão longe porque achei que ela (a autora) havia “empurrado” para frente o “acontecimento” da história. E ela deve ter feito isso mesmo. Só que empurrou tão pra frente que nunca mais achou. Um abraço.

Lucas C.F says fevereiro 25, 2013

Iai Bruno,tudo bem contigo? Descobri esse seu blog hoje, li muito dos seus artigos e achei realmente interessante. Se um dia meu livro der sucesso,vou por o nome do seu blog nos agredecimentos kkkkkkkk.
Enfim, começei a ler esse livro e realmente como você falou,esse historia não tem um enredo propiamente dito.É basicamente a tal da anatonha(gostei do apelido)contando como o GRAY usa seu poder, riqueza, “fodasticidade”,e outros sinonimos para conquistar e fazer sexo doentio com a tapada. So achei criativo a parte do contrato.

Nubia says fevereiro 11, 2013

Olá Bruno!
Tenho que admitir que quando eu ouvi falar do livro me deu uma certa vontade de ler. Mas então eu peguei o livro com uma colega de sala para ver como era de fato o livro e bom o troço é ruim pra caramba!
Só tem sexo? E o pior a escritora é uma mulher e faz a Anastasia passar por tanta humilhação! Contrato? Quem em pleno século XXI faz um contrato em um relacionamento!?
Aiai… Isso me dá uma revolta.
Mais tudo bem o mundo não é perfeito.
Gostei do post muito mesmo e é claro das dicas.
Beijos.

    brunogrunig says fevereiro 11, 2013

    Olá Nubia. Pois é… acontece que o livro virou “viral”. Um vai falando pro outro e zás! Vende um montão. Na verdade, deve ter um bocado de gente que comprou e não leu (o meu caso, por exemplo). A única diferença é que muita gente compra porque pensa que é a “mosca branca”, alguma coisa sensacional. E eu só comprei pra comprovar o que já achava. Mais uma tranqueira que faz sucesso, igualzinho aos videos “nada a ver”do Youtube que têm milhões de views. Abraço.

ella says janeiro 29, 2013

olá! Boa noite a todos!
Gostaria de ajuda com uma dúvida que tenho. Quando escrevemos um livro, podemos citar músicas de cantores famosos? Podemos, inclusive, citar trechos de tais músicas? Como funciona essa questão? É preciso pagar direitos autorais, mesmo que na história o personagem esteja cantando, ou falando da música?

    brunogrunig says fevereiro 4, 2013

    Olá Ella. Sim, pode citar, sem problema. Até mesmo colocar trechos. Não é preciso pagar direitos autorais. Um abraço.

Ildete Medeiros says janeiro 13, 2013

É Bruno, muitas pessoas já vieram me falar sobre esse livro. Mas eu (ainda) não li. Quando uma amiga começou a me contar as primeiras impressões, achei que não seria o tipo de leitura que me agradaria, mas confesso que também fiquei com a mesma curiosidade para descobrir o porquê de tanto “falatório”. Mas não é nada animador pensar em ler quinhentas e tantas páginas e não descobrir absolutamente nada! kkkk
Talvez essa febre tenha sido resultado de um “inconsciente coletivo”, onde as pessoas são levadas a agir de uma mesma forma, por uma mesma razão, sem se dar conta disso… sei lá, foi só uma brincadeira! Talvez, um dia, quando essa febre acabar, e a fila de livros na minha cabeceira tiver diminuído, eu crie coragem e comece a ler os cinquenta tons, que a essas alturas já deverão estar totalmente desbotados…kkkk Abraços!

    brunogrunig says janeiro 13, 2013

    Olá Ildete. Pois é…creio que mesmo que haja algo a ser descoberto, você fez uma boa opção. O assunto não é lá essas coisas de “construtivo”. Um grande abraço.

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