Que tipo de linguagem você anda usando ao escrever?

Linguagem rebuscada, vulgar ou simples

Linguagem rebuscada, vulgar ou simplesUm engano muito frequente cometido por alguém que vai escrever algo, seja um livro, um artigo, é tentar parecer mais “esperto” do que é. A pessoa parece que escreve com um dicionário de sinônimos do lado. Outras partem para o extremo oposto. Tanto a linguagem rebuscada quanto a vulgar podem simplesmente arruinar o que poderia ser um texto interessante.

Um antigo e querido patrão meu, ao reparar que algum funcionário estava complicando uma tarefa simples, demonstrava isso de uma forma peculiar. Ele coçava o lado esquerdo do rosto com a mão esquerda, de maneira natural, dizendo: “porque fazer assim…”. Depois atravessava o braço direito por trás da cabeça e coçava o lado esquerdo do rosto, dizendo: “se você pode fazer assim?”. Ou seja, ironizava para mostrar que alguém estava valorizando demais o serviço, muitas vezes para parecer importante, ou até mesmo para fazer aquela horinha…

Isso é verdade em muitas atividades em nossas vidas. Escrever, por exemplo.

Linguagem rebuscada

Quando você usa linguagem rebuscada, está passando o seguinte recado para o leitor: “Eu não me importo a mínima com você. Estou apenas te mostrando que sou muito letrado, enquanto você é apenas um pobre idiota”. Se é isso que você quer dizer às pessoas, vá em frente. Complique as coisas e esfregue no rosto da plebe ignara. Faça inimizades. Coloque-se num pedestal onde ninguém poderá te alcançar. Só tem um problema… em pouco tempo sua fama se espalhará. Má fama se espalha mais rápido que a boa. Sabe quem vai ler alguma coisa sua? Adivinhou. Ninguém.

Estou partindo do princípio que você escreve algo para que alguém leia. Pelo menos é o que eu faço. Se eu souber algum dia que ninguém quer ler o que escrevo, paro de escrever. Escrever um livro, um artigo, uma reportagem, é uma espécie de relacionamento. Estou relacionando-me com você, leitor. Passando-lhe as minhas ideias. Ora, se a minha linguagem lhe passa a impressão que sou apenas um “metido a besta”, você vai clicar bem naquele “x” lá em cima do internet explorer, é ou não é? E com toda razão.

Por isso, se você quer um relacionamento saudável com seu leitor, evite a linguagem rebuscada. E com “evite” eu quero dizer “não use de jeito nenhum”. Faça o contrário. Se lhe ocorrer uma palavra (ou termo) complicado, substitua por algo mais simples. Prontinho. Você acaba de fazer amigos e leitores fiéis.

Linguagem vulgar

Não vá você também sair por aí escrevendo vulgaridades, achando que vai agradar. É verdade, tem muita gente pela internet afora literalmente fazendo cocô e chamando de artigo. E não falo somente de palavrões. Um palavrão pode até ser usado eventualmente. Desde que seja relevante para o texto e colocado ali de maneira inteligente. Mas a vulgaridade vai mais longe que isso. Nada pior do que um texto recheado de palavrões, cujo conteúdo é muito pior e muito mais vulgar que os próprios palavrões. Um texto assim só pode ficar pior com o uso do miguxês. Aí, sim, está completo o lixo.

Você, ao escrever, não precisa ser um santinho. Precisa ser real. Mas para ser real não é preciso usar linguagem vulgar. É preciso saber escrever. (Saiba mais como escrever)

Linguagem simples

Esta é a linguagem que todos devemos usar. Escrever corretamente sem rebuscar coisa nenhuma. Escrever de maneira interessante sem vulgarizar. E dizer as coisas de forma simples, direta. O leitor precisa compreender rapidamente o que você quer dizer. Principalmente na internet. Dar um clique no mouse é mais rápido que virar uma página de livro.

E mesmo em livros, só é permitido usar palavras difíceis se isto for estritamente necessário. Os melhores autores utilizam a linguagem simples, direta. Faça isso você também.

 

 

 

About the Author brunogrunig

24 comments
Izeina says julho 27, 2012

Oi Bruno, fiquei até um pouquinho constrangida de enviar-re meu email. mas, enfim, tá ai. nao fiz correções nenhuma, você poderia dar uma olhadinha, me dizer algo, recomendar. É rascunho inicial, nao tenho ainda uma historia e personangens, estou deixando se criar…

Fico grata

Izeina
em anexo.

    brunogrunig says julho 27, 2012

    Olá Izeina. Eu tive que editar seu comentário, pois o texto era muito grande para a seção. Mas eu li o trecho que enviou. Creio que o conteúdo é bom, me parece uma boa história. Mas você precisa organizar um pouco melhor a narrativa, que me pareceu meio confusa. Eu tive a impressão de que você sabia exatamente o teor da história, mas não passava tudo para o papel. É importante, ao escrever, deixar as coisas bem claras para o leitor. Você sabe o que se passa com seu personagem, mas o leitor não. Por isso, escreva sem omitir detalhes importantes. Mas o mais importante você já tem… a história. Um grande abraço.

neidi says maio 24, 2012

acabei de fazer um cocô (dissionário)foi o pior!

neidi says maio 24, 2012

eu gostaria que alguns idiotas que se acham intelectuais lessem isso,já li muita merda, fiquei mais entre o dissioário do que o livro em si.

Pâmela Maria says março 29, 2012

Olá, tudo bem?
amei tudo, consegui nfim entender, tirar minhas duvidas
com relação a tipo de linguagem, é um conteudo bem facil, mais se agente não ‘pegar o jeito’ agente não aprende!
Gostei muito, estão de Parabéns!

    brunogrunig says abril 1, 2012

    Valeu, Pamela. Um grande abraço.

eliani maioline peliceu says março 20, 2012

gostei das sua dicas,mas não tenho a intenção de escrever livro(s),apenas quero e preciso coloca no papel, minha experiencia de vida como por exemplo,meus pensamentos,alegrias,tristezas,meus prncipios morais, valores etc.Enfim escrever um pouco de mim para deixar para que meus filhos e netos possam me conhecer alem das aparencias ou baseado na opinião de outras pessoas.Vou ler mais a respeito mas se vc puder me ajudar com dicas expecificas nesse sentido eu agradeço. Um grande abraço.

    brunogrunig says março 21, 2012

    Olá Eliani. Uma boa idéia seria ir escrevendo notas, organizadas de alguma maneira, sobre os tópicos mais relevantes. Assim você já estará produzindo algo para depois escrever o documento final. Um abraço.

jose eraldo moraes says fevereiro 28, 2012

olá Professor Bruno,

passeando pelo seu blog encontrei este belo artigo pelo qual quero antes de mais nada parabenizá-lo.
no entanto, fiquei um pouco confuso eu confesso. Sempre que leio um livro um dos atrativos é justamente encontrar palavras novas, e dentro do contexto da história buscar de forma bem agradável entender os seus significados, se eu ler um livro que seja escrito com uma linguagem muito simples não vou aprender nada de novo em relação a isso. não sei se derrepente entendi errado o que voce quis dizer, se puder me esclarecer.

abraço!

    brunogrunig says fevereiro 28, 2012

    Olá José. Como você pode confirmar lendo meu texto, falo tanto de usar linguagem rebuscada como de usar linguagem vulgar. Ou seja, o ideal é escrever com elegância, fluência e fazer-se compreendido de imediato. Se eu rechear meu texto – seja livro, artigo ou coisa que o valha – com palavras que o leitor precisa ir ao dicionário para entender o que aconteceu – por exemplo – com um personagem, meu texto não será lido até o final pela maioria dos leitores. Principalmente em ficção. Eu compreendo o que você quer dizer, quando encontra uma palavra diferente e tem prazer em aprender. Mas você nunca leu um livro que seja escrito assim de cabo a rabo, leu? Porque se leu, coloque lá no setor de dicas, para que eu jamais leia. Ou seja, usar uma palavra diferente aqui e ali, tudo bem. Desfilar sabedoria para contar um história é outra bem diferente. Eu leio livros de ficção em inglês e entendo tudo, apesar do meu inglês sofrível. Porque? Porque os caras escrevem em linguagem acessível a simples mortais. Um grande abraço.

Luciano says janeiro 20, 2012

Olá Bruno,

Encontrei seu blog por acaso, pesquisando sobre o programinha que ajuda a escrever um livro. Minha insônia de hoje despertou o desejo de escrever um livro, nem sei sobre o que ainda… rsrs

Abraço e valeu pelas dicas!

    brunogrunig says janeiro 20, 2012

    Olá Luciano. Valeu… A insônia é uma grande companheira de escritores. Nada como o silêncio da madrugadada para escrever sem ninguém te chamando pra torar o lixo pra fora. Um abraço.

Alexsander says janeiro 14, 2012

Obrigado pelas dicas,vc realmente sabe dar boas dicas,saiba que no mínimo uma pessoa vc ajudou. ^^

    brunogrunig says janeiro 14, 2012

    Valeu, Alexsander. Um abraço.

Ravily says dezembro 18, 2011

olá eu gostei muito achei bem legal a forma que vc expos essa idéia de fazer um livro achei bacana parabéns eu estou começando fazer um livro e estava precisando mesmo desses toques brigadão .

    brunogrunig says dezembro 20, 2011

    Valeu Ravily. E você já vai começar com o pé direito. Alguém comprar um livro de um escritor chamado Bruno… talvez. Mas o teu nome já nasceu importante, rerere… já dá uma certa “aura” ao livro. Um grande abraço.

@Crookiitaah' says dezembro 9, 2011

Olá!Gostei do aartiigowwn , fiicou ootimo’
E eeeu nn gostei nada da letra … FICOU MUITO FEIO!

    brunogrunig says dezembro 9, 2011

    Olá. Quem sabe eu possa mudar a letra mais adiante? Um abraço.

Samuel says outubro 17, 2011

Sério? “literalmente fazendo cocô” ? Mas fora esse vacilo, eu gostei do texto, tem bons conselhos. Sucesso!

    brunogrunig says outubro 17, 2011

    Olá Samuel. Não sei o que você entendeu do meu cocô, nem porque achou que foi um “vacilo”, mas valeu a presença. Um abraço.

      Samuel says outubro 18, 2011

      Olá Bruno.

      Sobre o “literalmente fazendo cocô”, o que quero dizer é que acho que vc quis fazer um uso conotativo com a palavra ‘cocô’, mas ao acrescentar o ‘literalmente’, fez perder esse uso.

      Vc escreveu assim: “É verdade, tem muita gente pela internet afora literalmente fazendo cocô e chamando de artigo.”, ou seja, está mesmo dizendo que tem gente defecando e chamando a bosta de artigo.

      Quando, na minha opinião, vc deveria ter escrito: “É verdade, tem muita gente pela internet afora fazendo cocô e chamando de artigo.”, excluindo o ‘literalmente’. São coisas de conotação e denotação.

      Mas fora isso, pra mim o seu artigo está bom. Valeu!

        brunogrunig says outubro 18, 2011

        Valeu, Samuel. Eu já tinha me ligado no lance. Você tem razão, na explicação técnica da coisa. Mas o meu “literalmente” foi de propósito mesmo. Foi para esculachar mesmo. Porque tem coisas por aí que comparadas com merda perdem feio. E é muito gratificante ter comentaristas atentos e construtivos como você. um grande abraço.

    Luiza says abril 29, 2012

    Concordo com vc Samuel! Acabei de ler o texto e tive a mesma sensação..”literalmente fazendo cocô”?? Como será possível?? rsrs…

      brunogrunig says abril 29, 2012

      Ops… a turminha do “eu também” demorou… mas chegou. Um abraço, Luiza.

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