Uma entrevista “forçada”

 

Eu geralmente sou um sujeito um pouco ranzinza, reconheço. E não costumo permitir coisas diferentes em meu blog. Tá legal, eu reconheço. Sou um ditador mesmo.

Mas uma brincadeira do leitor Paulo Nagy acabou quebrando uma barreira. Ele simulou uma entrevista comigo. Mas chutou legal o pau da barraca dando até mesmo as respostas, rerere. Então resolvi transformar a coisa em realidade. Ele fez as perguntas abaixo. E eu respondi. Espero que sirva de alguma coisa. Pois não sou lá uma “grande personalidade” para estar sendo entrevistado pela aí.

O Paulão mandou tudo em maiúsculas e no momento tou mais é com preguiça, e vou deixar assim mesmo.

Frase do Paulo: “Tá aí, Brunão. Não se preocupe. Não vou bagunçar. Hehehe:

01 – UMA LEMBRANÇA BOA DA SUA INFÂNCIA.

Bruno – Sei lá meu. A coisa foi bem dura. Pobre só se lasca, é ou não é? Mas eu agradeço a Deus todas as coisas. As dificuldades pelas quais passei – e ainda passo – me fizeram e me fazem crescer. Um lembrança legal? Jogar bola descalço na rua de terra. Encontrar um coleguinha de classe que achava o meu pão amanhecido com margarina e açúcar mais gostoso que o sanduíche de presunto e queijo dele. E pedia pra trocar. Deus te abençoe, amiguinho. Eu trocava… é claro.

02 – UMA LEMBRANÇA BOA DOS SEUS TEMPOS DE ESCOLA.

Bruno – A professora de matemática deu uma prova cruel. Um exercício só. Errou, rodou. No dia de entregar as provas corrigidas, por ordem alfabética, a minha (B…) foi a terceira. A malvada dizia o nome e a nota em voz alta. “Bruno Grunig… 1,5! Um e meio, em dez possíveis pontos. Eu tava lascado. A classe inteira riu a mais não poder. Porque o Brunão era CDF, só tirava nota boa. Mas a professora mandou todo mundo ficar calado. E continuou chamando: “Fulano… zero… Cicrano… zero…”. Até que os cerca de quarenta infelizes foram chamados. A minha foi a nota mais alta. Um e meio. Eu conservo até hoje uma pequena lembrança do sorriso meio disfarçado que me veio na hora… Mau para mim é que fiquei para exame no final do ano…

03 – SUA PRIMEIRA PROFISSÃO?

Bruno – Pobre não tem profissão. Faz o que a vida manda. Mas eu tive sorte e trabalhei muitos anos numa escola por correspondencia, onde aprendi muita coisa. E é de onde vem parte da minha vontade de ensinar. Já fiz um bocado de coisa na vida. Tive que me virar. Profissão? Sei lá. Músico, escritor. Autodidata.

04 – COMO SE INTERESSOU PELA LEITURA/ESCRITA?

Bruno – Acho que vem do meu pai. Ele sempre lia. A casa estava vindo abaixo e ele bem sossegado, em seu cantinho do sofá, lendo. Assim que comecei a ter meu dinheirinho, comprava e comprava livros. E lia todos.

05 – UM LIVRO QUE MARCOU SUA VIDA.

Bruno – Acho que não tem. Que marcou mesmo creio que não. Eu sempre li ficção. De alta qualidade, mas ficção. Acredito que o que ficou mais foi algo do estilo, do jeito de escrever.

06 – SEU(S) ESCRITOR(ES) PREFERIDO(S)?

Bruno – Qualquer um que me faça não sossegar enquanto não terminar o livro.

07 – SEU GÊNERO LITERÁRIO FAVORITO?

Bruno – Ficção. Gosto de histórias bem contadas. Mas sem coisas que não existam. Nada desse negócio de bruxos e vampiros e naves interplanetárias. Histórias sobre gente. Sobre o sujeito que consegue seu objetivo, seja ele combater o mal ou conquistar uma mulher, passando por poucas e boas.

08 – COMO VOCÊ ELABORA SEUS TEXTOS? É METÓDICO OU ESPONTÂNEO?

Bruno – Sem a menor dúvida, espontâneo. Se planejar não dá em nada.

09 – QUE ASSUNTO GOSTAVAS DE ESCREVER NA ADOLESCÊNCIA? E HOJE?

Bruno – Na adolescência eu praticamente não escrevia. Não dava tempo. Tinha que jogar bola, namorar, trabalhar e estudar. Não necessariamente nesta ordem. Hoje gosto de escrever material para ensinar. Gosto muito mesmo. E estou ensaiando um livro de ficção, além dos já guardados. Um dia sai…

10 – PRIMEIRO LIVRO (E-BOOK) QUE VOCÊ ESCREVEU?

Bruno – O primeiro foi O Manual de regulagem de guitarra. Foi bem engraçado quando vendi o primeiro pela internet. Saí pulando feito doido. Minha mulher pensou que eu tinha pirado de vez.

11 – UMA LIÇÃO QUE VOCÊ APRENDEU SOBRE COMO ESCREVER BASEADO EM EXPERIÊNCIA PRÓPRIA.

Bruno – É preciso gostar. Se alguém escreve porque é obrigado, ou apenas por força do trabalho, pode até produzir algo. Mas quando você gosta, coloca algo mais nas páginas. Uma parte de você está lá, seja uma apostila didática ou um livro de ficção. Eu percebo isso nos meus leitores. Eles sabem que o que está ali escrito não é para satisfazer meu ego. É para eles. Se não for para os leitores não há motivo para escrever uma linha sequer.

12 – COMO A INTERNET AFETOU SEU HÁBITO DE ESCRITA?

Bruno – Não sei se afetou. No início achava que tinha que me “enturmar” com blogueiros, coisa e tal. Logo percebi que não era minha praia. Há certos blogueiros que nadam conforme a correnteza. Eu não gosto disso. Creio que consegui, até hoje, manter uma certa integridade. Mas aprendi muita coisa na internet. Como buscar o público certo. Buscar pessoas que queiram ler o que a gente escreve. E escrever para estas pessoas. Creio que neste ponto eu evolui bastante. Hoje já tenho uma leve idéia do que funciona e o que não funciona.

13 – QUANDO VOCÊ COMEÇOU A TOCAR VIOLÃO E A PRIMEIRA MÚSICA QUE APRENDEU?

Bruno – Comecei tarde, com uns dezesseis, dezessete anos. A primeira música? Vixi… lembro não. Mas sei qual a primeira música que toquei direito. Foi “Imagine” de John Lennon.

14 – O QUE VOCÊ MAIS GOSTA DE TOCAR?

Bruno – Eu tenho um gosto bastante eclético. Ah… pra que economizar? É um gosto esquisito mesmo. Gosto de sertanejo, Beatles, James Taylor, rock, country,  romantico. É uma verdadeira salada mista. Mas me identifico bem mesmo é com country e sertanejo.

15 – SUA CITAÇÃO FAVORITA.

Bruno – Acho que não tenho uma específica não. Mas vou aproveitar a deixa: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu único filho, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha vida eterna”. Eu, na verdade, não gosto muito de ficar mencionando que “fulano disse isso ou aquilo”. Principalmente quando se trata de defender um argumento. Ou de expor uma idéia. Creio que devemos sempre fazer um esforço para raciocinar por nós mesmos. É claro que isso às vezes me faz perder a discussão, mas eu prefiro assim. Tanto é que quando menciono algo da bíblia em meus artigos ou livros, não cito – como fazem muitos – o capítulo e o versículo. Porque eu quero que a pessoa faça uma ou outra coisa: aceite a citação como boa e verdadeira ou duvide e vá procurar na bíblia.

16 – UMA MENSAGEM PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO A ESCREVER OU TOCAR VIOLÃO

Bruno – Aprenda. Eu tenho quase cinquenta e cinco anos e todos os dias aprendo alguma coisa. Quer fazer algo? Escrever, tocar violão, cantar, sei lá o que mais? Aprenda. Estude, dedique-se. Eu conheço gente que “decidiu” fazer uma determinada coisa e simplesmente foi fazendo. Só pra dar com os burros n’água. Ninguém aprende violão em uma semana. Nem escreve um livro da noite para o dia. Acontece que atividades ditas “artísticas” dão a muitos a impressão de que tudo é pura inspiração. Isso é pura bobagem É preciso aprender. E quem teima em não aprender com quem já fez (e fez direito…) só perde tempo. E fica apenas no “ora veja…”. Só no sonho. É muito melhor gastar o tempo estudando, pesquisando. Para depois fazer algo que preste.

Minhas considerações finais: Obrigado Paulo. Eu nem conheço você, mas com sua simplicidade e ousadia, conseguiu sacudir a poeira do blog. Ah, sim… o “forçada” do título é só brincadeira. Um grande abraço, amigo.

About the Author brunogrunig

11 comments
Ildete Medeiros says novembro 7, 2012

Acabei de conhecer o blog e li alguns posts. Que maravilha! Bruno, parabéns pela iniciativa, pela espontaneidade e generosidade em partilhar suas vivências sobre o mundo das letras. Eu sou absolutamente fascinada por esse mundo e desejo escrever um livro futuramente. Recentemente recebi uma incumbência do meu pai, que, aos quase 90 anos, me confidenciou que está escrevendo uma espécie de diário e quer que eu organize seus relatos e registre a sua história de vida. Meus olhos brilharam com essa ideia! Quero fazer isso com todo o meu amor, e, quem sabe, contar uma linda história de vida para muitas pessoas. Certamente recorrerei aos seus ensinamentos, Bruno. Virei sua fã! Abraços

    brunogrunig says novembro 7, 2012

    Olá Ildete. Legal isso com seu pai. É uma boa experiencia, pegar estes relatos e “amarrá-los” num só pacote. Vá em fente. Vai dar trabalho, mas compensa. Um abraço.

Welihu says novembro 6, 2012

Essa lembrança da escola foi lega. Aconteceu algo parecido comigo. Na 1a unidade em química, eu fui o único na classe que passou. 5,5.

    brunogrunig says novembro 7, 2012

    Olá Welihu. É mesmo, rerere. Dá um gostinho de “ó o que eu sei fazer”. Um abraço.

Allan says novembro 6, 2012

Curti sua entrevista mas, você não foi muito específico em algumas coisas. Leio seu blog a um tempo, parece que você não gosta muito de falar da sua vida pessoal, né?

    brunogrunig says novembro 6, 2012

    Olá Allan. Nem é por não gostar. Isso aqui é a internet. Exposição excessiva = problema. Para você e quem mais ler: não se exponha. Esse pessoal que fica nos Facebooks da vida contando detalhes de suas vidas, no mínimo arruma assunto para outros fofocarem. Mas isso nem é o perigo. Tem gente mal intencionada por aí. E pra trocar idéias não é necessário fornecer detalhes. Veja só nós dois aqui… estamos trocando idéia e eu não tenho a mínima idéia de quem você é. Um grande abraço.

    Allan says novembro 6, 2012

    Têm razão. Não tinha visto desse ângulo.Você é uma pessoa inteligente.

Paulo Nagy says outubro 30, 2012

Paulo Nagy says:

Obrigado Brunão pelos elogios e “não tô brabo não homem!”. Eu não sou assim tão criativo quanto você pensa. Eu acho que me saio bem em alguma coisa quando sou espontâneo e levo na brincadeira (como essa entrevista). Geralmente quando planeja não dá muito certo. Rsrsrs

Abraço.

(Exclua o comentário anterior repetido. Obrigado)

Paulo Nagy says outubro 30, 2012

Obrigado Brunão pelos elogios e “não tô brabo não homem!”. Eu não sou assim tão criativo quanto você pensa. Eu acho que me saio bem em alguma coisa quando sou espontâneo e levo na brincadeira (como essa entrevista). Geralmente quando planeja dá muito certo. Rsrsrs

Abraço.

Paulo Nagy says outubro 30, 2012

Bom Dia Brunão!

Muito obrigado pela entrevista “forçada”. Gostei muito!!!.

EXPLICAÇÕES NECESSÁRIAS.

“Eu (…) não costumo permitir coisas diferentes em meu blog.”

O meu objetivo na entrevista imaginária foi apenas fazer uma brincadeira para descontrair, não tinha intenção de força-lo a nada. Eu nem sabia que você não gostava de “coisas diferentes em seu blog.”
Pensei até que você ficou chateado. Mas, daí, você sugeriu a entrevista e eu aceitei (não resisti). Fico feliz que tenha gostado bom que você gostou. Mas, agora que já sei, vou respeitar sua decisão.

“Espero que sirva de alguma coisa (…)”

“Semeia pela manhã a tua semente e à tarde não repouse a mão porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela ou se ambas serão igualmente boas.”

Essa entrevista é uma semente que vai brotar quando você se tornar um escritor famoso e reconhecido.

Obrigado mais uma vez e desculpe qualquer coisa. Abraço!

    brunogrunig says outubro 30, 2012

    Olá Paulo. Me parece que escolhi mal as palavras. Não fiquei chateado não. E o “forçada” realmente não passa de uma brincadeira. Se eu não quisesse fazer a brincadeira da entrevista, simplesmente iria ignorar e um abraço. Foi muito pelo contrário. Eu gostei muito mesmo da sua contribuição. E gostaria que sugerisse outras coisas, porque imaginação você tem de sobra. Traga mais sementes… Um grande abraço.

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